Fixador Brylcreem - 1950
Com humor direto e uma pitada de ironia, o anúncio do Brylcreem brinca com a ideia de “estar sobrando” por causa de cabelos desalinhados, transformando o penteado em um verdadeiro cartão de visitas social. A cena ilustra um personagem deslocado, quase invisível, enquanto o texto reforça que nada chama mais atenção negativamente do que fios fora do lugar. O cuidado com o cabelo aparece como sinônimo de bom gosto, apuro e até de aceitação social. O Brylcreem surge como solução prática: fixa sem colar, mantém o visual no lugar e ainda promete cabelos sadios e juvenis. O tom é leve, mas carrega uma cobrança clara sobre aparência masculina. A linguagem simples aproxima o leitor, enquanto o desenho reforça a mensagem com humor visual. O produto não é só cosmético, mas um aliado contra o constrangimento. A promessa vai além da estética: envolve comportamento e imagem pública. O anúncio dialoga com padrões sociais da época, onde estar bem apresentado era quase uma obrigação. Tudo isso é dito de forma rápida, objetiva e fácil de memorizar.
Na análise, o anúncio do Brylcreem veiculado na Revista Careta, edição de 25 de novembro de 1950, reflete bem os valores do pós-guerra, quando a apresentação pessoal masculina ganhava destaque como sinal de disciplina e modernidade. O texto associa cabelos desalinhados à falta de bom gosto, reforçando padrões sociais rígidos, enquanto o humor suaviza a crítica e torna a mensagem mais palatável. A ilustração cumpre papel central ao dramatizar o “excluído social”, criando identificação imediata com o leitor. O produto é apresentado como solução simples e acessível, quase indispensável no dia a dia, reforçando a ideia de que cuidar da aparência era parte do comportamento esperado.
Fonte: Biblioteca Nacional
