Saúde da Mulher - 1936

O anúncio provoca logo no título, ao perguntar se o marido é “homem do lar”, criando um clima de cobrança silenciosa. A cena ilustra uma mulher exausta, cercada pelos afazeres domésticos e pelas crianças inquietas. O texto conversa diretamente com a leitora, reforçando o peso das responsabilidades dentro de casa. Organizar o lar, cuidar dos filhos e manter a harmonia aparecem quase como uma missão feminina. A promessa é clara: um lar bem cuidado garante conforto e satisfação ao marido. O discurso mistura afeto, dever e sacrifício cotidiano. A saúde da mulher surge como peça-chave desse equilíbrio doméstico. Pequenos desconfortos são tratados como ameaça à felicidade conjugal. O tom é didático e, ao mesmo tempo, moralizador. A narrativa reforça padrões sociais da época. Tudo converge para a ideia de que o bem-estar da família depende dela. E a solução aparece em forma de produto.

Na análise, o anúncio veiculado na Revista O Cruzeiro, na edição de 28 de novembro de 1936, reflete com clareza os valores sociais do período. A publicidade associa diretamente a saúde feminina à estabilidade do lar e à satisfação do marido, reforçando papéis tradicionais de gênero. O produto “A Saúde da Mulher” é apresentado como um aliado para manter o bom humor, a paciência e a disposição, atributos considerados essenciais para a vida doméstica. O texto longo e argumentativo substitui imagens impactantes por um discurso persuasivo, que mistura cuidado pessoal com obrigação familiar, algo muito comum na publicidade brasileira da década de 1930.

Em 1936, a propaganda liga saúde feminina ao dever doméstico, usando o bem-estar da mulher como base da harmonia familiar.

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