Urotropina - 1925

O anúncio do Urotropina apresenta uma cena elegante: uma jovem diante do espelho, cercada por perfumes, flores e detalhes que remetem ao cuidado pessoal feminino dos anos 1920. A peça sugere que a verdadeira juventude não depende apenas da beleza externa, mas também do funcionamento interno do corpo. Rugas, manchas, indisposição e fraqueza seriam sinais de órgãos “descuidadores”, especialmente rins e bexiga.

Para resolver isso, os comprimidos “Schering” de Urotropina surgem como solução discreta e moderna, mantendo tudo em perfeito estado e garantindo vitalidade contínua. A abordagem mistura charme visual com um toque de pseudo-ciência típico da época, tentando convencer as leitoras de que saúde interna e aparência caminham juntas. A peça transforma um medicamento em item quase indispensável à rotina feminina.

Veiculado na Revista A Cigarra, em janeiro de 1925, o anúncio aposta forte na estética refinada para dialogar com o ideal de elegância do período. O discurso trabalha a insegurança feminina ao insinuar que cuidados externos são insuficientes, criando a necessidade de um “tratamento interno” para manter juventude e frescor. É um exemplo clássico da publicidade que associa medicina, beleza e status, algo recorrente no início do século XX. A composição gráfica — cheia de detalhes, flores e pose teatral — reforça a ideia de que a mulher moderna deveria cuidar de si em múltiplas camadas. A peça revela muito sobre os valores e a retórica persuasiva da época.

Publicidade de 1925 que usa elegância e medo do envelhecimento para vender Urotropina como “segredo interno” da juventude.

Nenhum comentário