Cafiaspirina - 1926
Imagine que o "vovô" da família, aquele senhor que aproveitou a vida com elegância, bons vinhos e conquistas, agora precisa de uma ajudinha para lidar com as consequências da juventude agitada. O anúncio da Cafiaspirina apresenta um personagem carismático que, apesar das dores reumáticas e ataques de gota causados pela "alegre vidoca", agora sorri para o mundo. A promessa é tentadora: um alívio que estimula a eliminação do ácido úrico sem afetar o coração ou os rins. Além de cuidar do patriarca, o produto se vende como o herói de toda a família, combatendo desde dores de dente até as famosas ressacas de "abusos alcoólicos". É um retrato curioso de uma época onde a solução para as noites em claro cabia em um pequeno tubo ou envelope da Bayer.
A análise desta peça publicitária nos leva diretamente às páginas da revista O Malho, na edição de 11 de setembro de 1926, revelando como a indústria farmacêutica dialogava com o comportamento social da época. Diferente de anúncios estritamente médicos, a inserção em O Malho em setembro de 1926 utiliza o humor e a narrativa de vida do personagem para criar empatia com o leitor. O texto foca no "estilo de vida" do homem urbano, associando o consumo do medicamento não apenas à doença, mas ao restabelecimento do bem-estar após o prazer. Ao citar explicitamente a revista com a data de 11 de setembro de 1926, percebemos uma estratégia de marketing moderna da Bayer, que já segmentava seu público e oferecia formatos variados do produto, como o "disco" com apenas um comprimido, facilitando o acesso ao "ideal contra dores" em 1926.
Fonte: Biblioteca Nacional
