Elixir de Nogueira - 1925
Com visual sóbrio e tipografia carregada de informação, o anúncio do Elixir de Nogueira chama atenção pela promessa quase ilimitada de cura. O frasco ilustrado ocupa o centro da página, funcionando como prova visual da existência e da seriedade do produto. A lista extensa de doenças tratadas impressiona e revela uma época em que a fé nos “depurativos do sangue” era comum. Termos médicos, alguns hoje até estranhos, reforçam a ideia de ciência e autoridade. A presença do retrato do preparador humaniza o elixir e cria proximidade com o leitor. Há também o orgulho de ter sido exibido fora de concurso na Exposição Internacional de 1922. Tudo conspira para transmitir confiança. Mais do que vender um remédio, o anúncio vende esperança. E, claro, a sensação de que um único frasco poderia resolver quase todos os males do corpo.
Na análise, fica claro que o anúncio aposta fortemente no discurso científico e institucional. Ao citar a aprovação pelo Departamento Nacional de Saúde Pública e exibir uma longa relação de enfermidades, o Elixir de Nogueira tenta se legitimar como solução universal. Esse tipo de estratégia era comum na Revista A Cigarra, edição de janeiro de 1925, quando a publicidade ainda caminhava lado a lado com a medicina popular. A ausência de questionamentos e a linguagem afirmativa mostram um período em que a regulamentação era mais branda e a persuasão se baseava na autoridade, não na comprovação.
Fonte: Biblioteca Nacional
