Manteiga Isigny de Bretel Freres - 1898

O anúncio da Manteiga Isigny, da casa Bretel Frères, chama atenção logo de cara pelo tom direto e quase educativo, falando com conhecedores e donas de casa como quem dá um conselho de confiança. A ideia de “boa cozinha” aparece ligada à escolha do ingrediente certo, reforçando que cozinhar bem começa pela manteiga. O texto aposta na autoridade europeia, destacando a origem francesa como sinônimo de excelência. Há também um cuidado em tranquilizar o consumidor, garantindo pureza e ausência de misturas indesejadas. A menção à marca registrada reforça autenticidade num período em que falsificações eram comuns. O anúncio conversa com um público atento à qualidade e à procedência. A linguagem é firme, mas acessível, quase como uma recomendação entre pessoas experientes. A estética tipográfica e os ornamentos ajudam a passar seriedade. Tudo ali parece pensado para gerar confiança. Não é só um produto, é um padrão de qualidade. A manteiga surge como base da boa mesa. Um retrato claro dos valores alimentares do fim do século XIX.

Na análise do anúncio veiculado no jornal Gazeta de Notícias, edição de 15 de março de 1898, fica evidente como a comunicação publicitária apostava mais no texto do que na imagem para convencer. O discurso gira em torno de pureza, origem e premiações internacionais, elementos fortes para um público urbano em processo de modernização. Ao citar prêmios e a procedência francesa, a marca se posiciona como referência mundial, criando desejo e status. A ausência de linguagem exageradamente promocional dá um ar quase científico, reforçando credibilidade. É publicidade que informa, educa e vende ao mesmo tempo.

Anúncio de 1898 aposta em origem francesa, pureza e autoridade para associar a manteiga Isigny à boa cozinha e à confiança do consumidor.

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